sexta-feira, 18 de outubro de 2013

24. Um homem de sorte (18/06)

Um homem de sorte
(The lucky one)

Direção: Scott Hicks

Elenco: Zac Efron, Taylor Schilling, Blythe Danner

Sinopse: Durante uma incursão ao Iraque, Logan se salva de um ataque à bomba e encontra a foto de uma mulher desconhecida, que começa a carregar na carteira e considera seu amuleto da sorte. Depois de voltar, ele decide ir em busca dela e acaba trabalhando em seu canil.


Opinião da Maria: O que se pode dizer quando é lançado OUTRO filme baseado em um livro do Nicholas Sparks? Bom, vamos assistir, é um filme completamente desnecessário, mas tem 50% de chance de ser bom. Pois, não é! A história é previsível, os personagens não têm personalidade (apesar de serem bons atores, Schilling está se destacando em "Orange is the new black") e quem já tá cheio de cenas de beijo na chuva põe o dedo aqui. Daqui em diante, só vejo um filme do Sparks se tiver o Channing Tatum, a Rachel McAdams ou o Ryan Gosling, qualquer outra coisa é perda de tempo e de paciência.

Opinião do Misael: Eu poderia estar matando, roubando, mas não, eu dei uma chance para os filmes de Nicholas Sparks, alguns anos atrás, e me surpreendi com os interessantes Querido John e Diários de uma Paixão, que mostravam a tirania feminina pelo ponto de vista dos olhos dos inocentes protagonistas masculinos, usados e torturados por não a) oferecerem condição monetária estável; b) agradarem os costumes refinados e elitistas dos sogros. Difícil não se identificar. Além disso, as histórias tinham personagens interessantes e diretores que eram, ao menos competentes. Tudo que Um Homem de Sorte não tem. A premissa é boa, mas o filme é cansativo, cheio de clichês (tanto de trama quanto de efeitos de fotografia) e tem protagonistas sem química. Finaliza de forma digna dos filmes de baixo orçamento exibidos na Sessão da Tarde, que provavelmente será seu destino mais óbvio.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

22. Um método perigoso (17/06)

Um método perigoso
(a dangerous method)

Direção: David Cronenberg

Elenco: Michael Fassbender, Vigo Mortensen, Kiera Knightley

Sinopse: A história gira em torno de Carl Jung, sua relação com Freud, até as desavenças a respeito dos caminhos da psicanálise, e o relacionamento com uma de suas pacientes.


Opinião da Maria: David Cronenberg é um ótimo diretor, disto ninguém tem dúvida, mas "Um método perigoso" é às vezes tão intricado que não consigo ver como uma pessoa leiga pode aproveitar a história. Até eu, que gosto de psicologia, da história da psicanálise e de Freud, me perdi na maioria das conversas e fiquei extremamente entediada em vários momentos. Deixando a história de lado, a fotografia é maravilhosa, Fassbender tem outra atuação impecável e Vigo Mortensen está quase irreconhecível. Mas como nem tudo são flores, esta deve ser a atuação mais irritante de Kiera Knightley até o momento, eu ficava torcendo pra personagem dela morrer só pra não ver ela se contorcer.

Opinião do Misael: Distante das raízes visuais perturbadoras marcantes de seus filmes, Um Método Perigoso aborda a estranha relação da psicologia humana com diálogos verborrágicos que afastam o espectador que não tem um mínimo de entendimento do assunto. Para quem gosta do tema, é um prato cheio de discussões dos pais da psicanálise usando um paciente em comum, representado pela atriz Keira Knightley. A forma como a relação entre psicanalista e paciente acaba se emaranhando e confundindo se reflete aos poucos na personalidade de Jung (Fassbender) em contraste com figura quase imutável de Freud (em uma interpretação firme de Mortensen). Querendo ou não, Cronenberg mexe com os brios novamente. Só que desta vez, é no cérebro e não no estômago.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

21. Jack, o caçador de gigantes (16/06)

Jack, o caçador de gigantes
(Jack, the giant slayer) 

Direção: Bryan Singer

Elenco: Nicholas HoultEleanor TomlinsonEwan McGregor, Stanley Tucci

Sinopse: Jack tenta salvar a princesa e o reino das garras dos gigantes quando, acidentalmente, molha um dos feijões mágicos e abre o caminho entre os dois mundos. 


Opinião da Maria: Ai, ai, como falar deste filme sem ser muito ofensiva... Jack, o caçador de gigantes é só mais um da onda de "recriações de contos de fada", como o péssimo João e Maria e o não tão péssimo Oz, que junto com os filmes pós apocalípticos onde a terra perdeu e ficou devastada, são a hype do momento. Bryan Singer é um ótimo diretor e Nicholas Holt um bom ator, mas o roteiro e os efeitos matam a história, que acaba pecando no clichê e na pieguice. Mas tudo tem um lado bom e Ewan McGregor é o deste filme.

Opinião do Misael: Em algum momento, entre X-Men 2 e suas mais recentes produções, Bryan Singer perdeu o foco. Jack é, sem dúvida nenhuma, o pior filme do diretor que já levou o Oscar de Melhor Roteiro por Os Suspeitos. Estranho, visualmente bizarro, com efeitos destoantes, atuações estapafúrdias e uma trama que tenta imitar o sucesso da onda de remodelação de contos de fada em que o cinema passa, o filme passa longe de ser uma diversão despretensiosa. Exagera no humor desnecessário, tem um protagonista nada carismático e um elenco mal utilizado. Algo salva o filme do total desastre? Não. A duração é excessiva, as reviravoltas  previsíveis e mal explicadas. Vou parando por aqui, porque continuar malhando Jack é chover no molhado.

domingo, 4 de agosto de 2013

20. Sete dias com Marilyn (14/06)

Sete dias com Marilyn
(My week with Marylin)

DireçãoSimon Curtis

Elenco: Michelle WilliamsEddie RedmayneJulia OrmondKenneth Branagh 

Sinopse: O filme acompanha um jovem que consegue uma vaga na produção do novo filme de Marilyn Monroe, The prince and the showgirl, e acaba se apaixonando pela atriz.  

Opinião da Maria: Sete dias com Marilyn é o tipo de filme que dá uma dor no coração. Você que manter na mente aquela imagem da Marilyn alegre, linda e talentosa que percebe nos filmes, mas tudo que vê é a insegurança e a auto destruição de um ícone. Apesar de o filme ser baseado em apenas um ponto de vista e existirem controvérsias sobre a veracidade de histórias contadas tanto tempo depois que aconteceram, após ver este filme, a percepção de Marilyn como pessoa nunca mais será a mesma e Sir Lawrence Olivier perde mais dois espectadores.  

Opinião do Misael: Se já existiu uma pessoa com maior carisma e tão magnética quando Marilyn Monroe, essa pessoa só pode ter sido Marilyn Monroe. E, mesmo assim, as pessoas conseguiam odiá-la. Lawrence Olivier conseguiu essa proeza durante a produção de The prince and the showgirl. Em Sete Dias Com Marilyn essa relação e os bastidores cruéis do filme são suavizados para não destruir com a figura mítica de Olivier que, conta a história, se referia à atriz como "bitch" para os colegas. Em compensação, as atuações competentes de Michele Williams (tão bela e inocente, mas jamais, tão perfeita quanto a original) e de Kenneth Brannagh elevam o nível da produção. Ademais a fidelidade histórica do filme aos detalhes interessam aos fãs da atriz. As atuações apagadas do protagonista e de Emma Watson e o final que beira o piegas tiram um pouco do brilho, mas não estragam a experiência. 

19. O mágico (14/06)

O mágico
(L'Illusionniste)

DireçãoSylvain Chomet

Elenco: Jean-Claude Donda

Sinopse: O filme acompanha um mágico que se vê obrigado a viajar de cidade em cidade para continuar trabalhando. Em uma destas cidades ele encontra uma garota que decide segui-lo por acreditar que é um mágico de verdade. 

Opinião da Maria: Visualmente, O mágico (assim como o filme anterior do diretor, As bicicletas de Belleville) dá de 10 a zero em qualquer filme produzido por empresas grandes e famosas, mas a melancolia da história e o final agridoce deixam uma sensação ruim que parece até errada em uma animação.

Opinião do Misael: Causa estranheza assistir a uma animação francesa como As Bicicletas de Belleville, mas O Mágico, segunda animação do diretor, compositor e animador Sylvain Chomet atinge um nível de beleza estética e narrativa tão grande que arrasa com o espectador. Novamente, um filme que não precisa de diálogos, mas consegue expressar na animação fluida de seus personagens, sentimentos e relações universais e íntimas. É linda, é triste, é uma animação francesa de alta qualidade.

18.O inverno da alma (13/06)

O inverno da alma
(Winter's bone)

Direção: Debra Granik

Elenco: Jennifer LawrenceJohn HawkesKevin Breznahan 

Sinopse: A adolescente Ree, que cuida de sua casa e dois irmãos, tem de achar seu pai para não perder a casa onde moram.



Opinião da Maria: Na época de lançamento, o filme atraiu muita atenção, especialmente da crítica, rendendo até uma indicação ao Oscar para Jennifer Lawrence. Isto foi em 2011. Assisti-lo agora não foi impactante (não sei se a dois anos atrás seria), a atuação de Lawrence é ótima, e da pra sentir a angústia dela, por não encontrar o pai, ter que cuidar da mãe doente, não ter comida e estar cercada por "parentes" criminosos que não lhe dizem o quer saber, mas críticas que apontam a originalidade do filme, para mim, são infundadas, ele me parece uma versão mais fraca de Rio Congelado.

Opinião do Misael: O bafafa que Inverno da Alma fez no Oscar 2010 sempre me fez pensar que o filme independente fosse uma daquelas histórias que acabam com seu dia. É um bom filme, com uma trama interessante e, sim, humanamente horrenda, mas passa longe de ser um feel bad movie e muito mais longe de ser um filme marcante cinematograficamente. A despeito de tudo isso, revelou a ótima Jennifer Lawrence.

     

quarta-feira, 17 de julho de 2013

17.Super (13/06)

Super
(Super)

Direção: James Gunn (II)

Elenco: Rainn WilsonEllen PageLiv Tyler, Kevin Bacon

Sinopse: Depois de sua mulher o deixar por um traficante, Frank resolve virar um super herói e resgatá-la do vilão. 



Opinião da Maria: Eu adoro o Rainn Wilson, a maioria dos fãs de The office adoram, e ele é o motivo pelo qual assistimos a esse filme bizarro. A sinopse parece simples, mas é brutal, ele apanha, leva tiros, facadas e mata uma pá de gente. O filme tem seus momentos, como a participação hilária de Nathan Fillion e as primeiras tentativas falhas de heroísmo, mas o filme tem muito mais tristeza do que ação e à partir da entrada da personagem de Ellen Page (pela qual temos uma antipatia excepcional) ele começa a se tornar insuportável. Aguentar até a cena final de ação compensa, mas deixa um gosto amargo na boca.

Opinião Misael: Rain Wilson aposta em um papel dramático, em um filme independente (que fica bem claro pelas opções estéticas do diretor novato), que consegue ser mais impactante e psicologicamente violento que o maquiado Kick-Ass. Existe uma dualidade na história: enquanto a trilha sonora e a edição parecem enaltecer o herói em suas missões, a sensação que fica para o espectador é que os protagonistas são apenas pessoas com sérios problemas psicológicos. Até a atuação esquizofrênica da horrível Ellen Page se salva no filme e tem momentos que beiram a bizarrice. Mas talvez, por mexer tanto com os conceitos de filmes de super-heróis que Super vai além e conquista seu lugar ao sol.     

quinta-feira, 11 de julho de 2013

16. Se beber não case 3 (11/06)

Se beber não case parte 3
(The hangover part III)

Direção: Todd Phillips

Elenco: Bradley CooperEd HelmsZach Galifianakis 

Sinopse: Phil, Stu e Doug fazem uma viagem para levar Alan a um centro de recuperação. No meio do caminho, são abordados por criminoso de Las Vegas que toma Doug como refém e obriga os três a irem atrás de Chow.

Opinião da Maria: Quando um filme chega em sua parte 3 (e final), é esperada uma história boa e bem estruturada, para dar um fechamento honrado para personagens já conhecidos e "amados", afinal de contas, em uma sequência de filmes, o primeiro é o original que deu sucesso á franquia, o segundo traz elementos do primeiro, mas se desenvolve de forma diferente e o terceiro é completamente diferente e aponta o fim (geralmente). Mas a trilogia 'se beber não case' traz os dois primeiros filmes exatamente iguais (só em países diferentes) e este terceiro tenta fazer uma volta ao princípio, mas só consegue inserções forçadas de personagens conhecidos e uma total falta de empatia pelo trio principal. Eles deviam ter parado no primeiro e se dado por satisfeitos.   

Opinião Misael: Se o primeiro Hangover fez sucesso com sua ousadia de tentar uma comédia para maiores de 18 anos e situações épicas de seus protagonistas e sua continuação tentou apenas emular o efeito do original, a terceira parte da rentável franquia entristece pela falta de grandes cenas e sem a mesma ousadia, preferindo apostar no fator emocional da ligação dos espectadores com os personagens. Felizmente, Zach Galifianakis pode enterrar o personagem que vem repetindo em todos os filmes que faz desde o começo da franquia.

15. Uma ladra sem limites (10/06)

Uma ladra sem limites
(Identity thief)

DireçãoSeth Gordon

Elenco: Melissa McCarthyJason BatemanAmanda Peet

Sinopse: Pai de família descobre que sua identidade foi roubada e resolve ir buscara ladra para trazê-la à justiça.




Opinião da Maria: Jason Bateman e Melissa McCarthy são dois nomes fortes da comédia americana atual, mas nesse filme estilo road trip, com roteiro clichê e situações horríveis, o talento dos dois é completamente desperdiçado. Os dois fazem os papéis de sempre: Bateman é o homem de negócios sério, voltado para a família, que é obrigado a sair de sua zona de conforto; McCarthy é a personagem espalhafatosa, exuberante e vergonha alheia. Nada de novo, então pra que assistir?


Opinião Misael: A comédia é um gênero que precisa que tem no ritmo sua maior força. Ritmo de saber ligar no tempo certo uma piada na outra, extraindo o maior humor possível de uma situação, sem se alongar desnecessariamente. O seriado animado Archer talvez seja o melhor exemplo dessa qualidade: são situações que vão se potencializando sem dar tempo para o espectador respirar, mas tem um limite e respeitam esse limite, permitindo que não fique cansativo. Essa explicação um pouco longa é necessária para dizer que Uma Ladra Sem Limites extrapola seu tempo de duração, extrapola o bom senso, exagera nas situações caóticas para contar a mesma história de sempre e ser um poço vazio de clichês e más atuações de um bom elenco e um diretor que deixou os acertos de seu primeiro filme subirem à cabeça.

domingo, 7 de julho de 2013

14. O mestre (09/06)

O mestre
(The master)

Direção: Paul Thomas Anderson

Elenco: Joaquin PhoenixPhilip Seymour HoffmanAmy Adams 

Sinopse: O filme narra a história de um marinheiro que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, se vê lidando com seus próprios demônios e acaba se envolvendo com o líder de uma organização religiosa que tenta ajudá-lo a se curar de seus problemas.


Opinião da Maria: Não sei se eu gostei ou não desse filme. O diretor é bom e o elenco é ótimo (apesar de eu não gostar muito do Joaquim Phoenix), mas algo em histórias sobre personagens erráticos que progressivamente se afundam em seus vícios e só fazem as escolhas erradas me deixam um tanto angustiada. No fim, a sensação que eu tive o tempo todo foi de que eu já tinha visto esse filme antes. 

Opinião do Misael: Paul Thomas Anderson é um diretor-autor que se destaca no cinema atual. Suas produções de esmero estético, sonoro e a direção firme de seu elenco, o põe na posição invejável de gênio. Basta assistir a atuação hipnotizante de seus personagens. De Daniel Day-Lewis em Sangue Negro a Phillip Seymour Hoffmann e Joaquim Phoenix em O Mestre. Tudo colabora para tornar completamente imersiva a presença do espectador na história. É uma grande injustiça o filme ter sido esnobado no Oscar, mas é uma situação já vivenciada pelo diretor em todas as suas outras produções. Desde que ele não se importe e continue fazendo bom cinema, nós também não nos importaremos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

13. O lugar onde tudo termina (09/06)

O lugar onde tudo termina
(The place beyond the pines)

Direção: Derek Cianfrance

Elenco: Ryan GoslingBradley CooperEva Mendes 

Sinopse: O filme conta a história de um motociclista que morre ao tentar roubar um banco e as consequencias de sua morte na vida de seu filho e do policial que o matou.


Opinião da Maria: o filme é um soco no estômago, com um clima de tristeza durante toda a tama. Bradley Cooper e Ryan Gosling mostram que, além de serem rostinhos bonitos, são atores brilhantes e o elenco jovem da terceira parte não faz feio. É um dos filmes que se deve ver em 2013, mas não vá assistir esperando finais felizes.   

Opinião do Misael: Um choque. Só assim para definir  O Lugar Onde Tudo Termina. Três histórias que transitam por gêneros diferentes chegando ao ápice em um terceiro ato angustiante. Atuações brilhantes dos protagonistas e uma trama que não deve ser muito comentada para preservar a integridade do espectador, fazem desse filme uma das melhores experiências do ano.

12. Segredos de sangue (09/06)

Segredos de sangue
(Stoker)

Direção: Park Chan-wook

Elenco: Mia Wasikowska Nicole KidmanMatthew Goode 

Sinopse: Após a estranha morte de seu pai, garota tem de lidar com a presença de um tio que nunca conheceu e impulsos que aflorescem com sua chegada.


Opinião da Maria: segredos de sangue é um daqueles filmes perturbadores, que ao mesmo tempo que tu não quer mais assistir, não consegue tirar os olhos da tela. O filme é permeado por cenas estranhas e constrangedoras que lembram Lars Von Trier e as atuações do trio principal são impecáveis. O debut de Park Chan-wook em solo americano não deixa a desejar, ele cria uma atmosfera de estranheza durante toda a trama, que culmina em um climax não tão original, mas que não perde nada por isso. 

Opinião do Misael: Como fã do diretor sul-coreano Park Chan-Wook, torci o nariz para as primeiras notícias de seu filme hollywoodiano. Apesar da filmografia impecável que inclui a Trilogia da Vingança e do ótimo Sede de Sangue, migrar um cinema reflexivo, pontuado e esteticamente culturalizado pelo Oriente para um padrão de cinema completamente diferente poderia representar um retrocesso. Felizmente, o resultado foi surpreendente. Denso, perturbador e com uma linguagem completamente mixada com o passado do diretor, o filme extrai boas atuações do trio de protagonistas. As tomadas e movimentações da câmera, que nos outros filmes era basicamente estática, agora desliza pelos cenários e se foca nos detalhes dos personagens, mais do que a composição de toda a cena. O roteiro de Wentworth Miller (o protagonista de Prison Break), que inclusive insistiu pela direção de Park também sabe explorar as dualidades da trama e intrigar o público. Uma deliciosa experiência que consegue chocar e tirar seu público da zona de conforto.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

11. Meu namorado é um zumbi (07/06)


Meu namorado é um zumbi
(Warm bodies)

Direção: Jonathan Levine

Elenco: Nicholas HoultTeresa PalmerAnaleigh Tipton Rob Corddry John Malkovich

Sinopse: Em um futuro pós apocalipse zumbi, um dos mortos-vivos começa a recriar consciênca e, depois de comer o cérebro de um jovem, se vê interessado por sua namorada.  

Opinião da Maria: quem tem acompanhado o desenvolvimento e crescente popularidade dos zumbis não vai ficar chocado com a sinopse desse filme, afinal, só faltava mesmo os zumbis falarem! Mas ao contrário de modernizações de outros monstros, como os vampiros, por exemplo, que caíram no ridículo tamanha a pieguice, Meu namorado é um zumbi é a história (bastante engraçada até) de um zumbi que aprendeu a ser humano novamente e deixa o amor intenso, impenetrável, única coisa que vale a pena no mundo, para outras franquias. Tá que a noção de que o amor e a amizade podem reverter o processo de putrefação de uma pessoa é estapafúrdia, mas ela já estava morta e caminhando por ai como se estivesse viva mesmo, então porque não?  

Opinião do Misael: Zumbis foram o tema moda de 2012. Das séries de TV para os cinemas, passando pela literatura e dominando a cultura pop. Faltava só a comédia romântica. Não falta mais. Por mais absurda que possa parecer a premissa (e ela continua absurda mesmo após as explicações do filme), Sangue Quente tem bons momentos pela boa relação entre os atores, as referências ao universo zumbi, a crítica a sociedade individualista (que sempre foi presente nos filmes do gênero). Infelizmente, seu lado comédia romântica é bastante inverossímil e as viradas finais da trama não convencem.

10. Os selvagens da noite (06/06)

Os selvagens da noite
(The Warriors)

Direção: Walter Hill 

Elenco: Michael Beck, James Remar, Dorsey Wright , Brian Tyler

Sinopse: Representantes de uma gangue de Long Island são acusados de matar o líder de todas as gangues em convenção no Brooklyn e tem que tentar sobreviver à perseguição de outros grupos para conseguirem voltar ilesos ao seu território. 


Opinião da Maria: se eu tivesse visto esse filme quando criança, provavelmente viraria um clássico de infância, tem todos os elementos de um filme de aventura: mocinhos acusados de algum crime que não cometeram, fuga de vilões, aventuras para voltar para a casa e segurança. Mas a minha mãe nunca ia me deixar assistir. A impressão que tenho de The warriors, conhecendo agora, é que é uma mistura de "hair" com "o mágico inesquecível" e uma pitada do medo que os americanos tem de que o país vai ser dominado por gangues. Fiquei esperando o tempo todo um número de dança.

Opinião do Misael: tem filmes que são clássicos por sua complexidade, relevância, estética e importância para o cinema. Tem outros que são clássicos porque sabem chutar uma bunda. The Warriors é a clássica história de um grupo perdido atrás das linhas inimigas que tem que chegar vivo em casa. E faz isso de forma estilosa. Seja pelas bizarras gangues que são encontradas pelo caminho, pelas frases de efeito e tomadas estilosas, o filme se sagrou um clássico dos anos 70 que permanece impactante e divertido quase 40 anos depois.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

9. Selvagens (06/06)

Selvagens
(Savages)


Direção: Oliver Stone

Elenco: Taylor KitschAaron Taylor-JohnsonBlake Lively, Salma Hayek, Benicio del Toro, John Travolta.

Sinopse: O cartel mexicano quer incorporar o negócio de maconha de Ben e Chon e para isso sequestram sua namorada, O. Para conseguí-la de volta eles vão fazer o que for preciso.


Opinião da Maria: Quando me deparo com um filme sobre traficantes, dirigido por Oliver Stone, o que passa pela minha cabeça é "bah, deve ser um baita filme!", mas Selvagens não impressiona. O trio principal é mais beleza do que atuação e o trio coadjuvante é pura caricatura de atores que um dia foram grandes. Apesar de algumas cenas interessantes, o final deixou, para mim pelo menos, um gosto de incerteza, pois não ficou claro (de novo, para mim) exatamente o que aconteceu.

Opinião do Misael: Trio de protagonistas sem química, antagonista sem personalidade e um diretor superestimado. Faz algum tempo que Oliver Stone vive só do nome e, apesar do elenco cheio de atores conhecidos, o resultado é apático e quase sem sal. Benicio del Toro consegue dar um pouco de vida ao filme em seu papel aterrador, mas não adianta. O final consegue mandar o pouco de dignidade da trama pelo ralo, com uma visão otimista para os protagonistas e decepcionante para os espectadores.

8. VIPs (05/06)

VIPs


DireçãoToniko Melo

Elenco: Wagner MouraJuliano Cazarré

Sinopse: Marcelo quer ser piloto de avião, foge de casa, aprende a pilotar e acaba virando piloto para traficantes. Quando é preso, tem que voltar para casa e resolve se passar por um dos donos da empresa Gol.



Opinião da Maria: Não foi fácil prestar atenção neste filme. Nem o carisma de Wagner Moura salva, na verdade estraga, com sua tentativa equivocada de interpretar um adolescente e mais uma performance de Legião Urbana. Mas à partir da parte em que ele decide se fazer passar pelo executivo da Gol e realmente acredita que é tal pessoa, assim revelando que seus problemas não são somente de caráter, não fica tão ruim de assistir. Mesmo assim, o filme tenta se sustentar somente em Moura, o que acaba não funcionando.

Opinião do Misael: Aquela ideia que brasileiro tem de endeusar criminosos no cinema, ao menos aqui tem um olhar crítico não apenas do que leva alguém a infringir a lei, mas da sociedade do espetáculo que só deixa o indivíduo "ser" alguém se ele for rico ou famoso. O final instigante de Vips pode não ser perfeito mas ao menos é corajoso o suficiente para lidar com suas falhas sem a pretensão de justificar o seu protagonista

7. Os homens preferem as loiras (04/06)

Os homens preferem as loiras
(Gentlemen prefer blondes)


Direção: Howard Hawks

Elenco: Jane RussellMarilyn MonroeCharles Coburn

Sinopse: Lorelei e Dorothy são dançarinas de cabaret. As duas embarcam em um cruzeiro rumo à Paris, onde Lorelei se casará com um homem rico, mas um detetive contratado por seu sogro vai mudar seus planos. E o de sua amiga. 

Opinião da Maria: É difícil acreditar que filmes como esse tenham sido feitos. Hoje em dia é impensável que um roteiro tão ingênuo poderia ser feito, mas é exatamente isso que torna esse filme tão mágico. Isso e Marilyn Monroe. A beleza e magnetismo da atriz iluminam tudo que ela fez.  Os destaques vão para a cena do julgamento e a do casamento duplo, que de tão esdrúxulas, são cativantes.


Opinião do Misael: Assistir a filmes como este só reforça o nível mítico que Marilyn Monroe atingiu como sex symbol, lenda do cinema e ícone da cultura pop. Os homens preferem as loiras parece ser feito exclusivamente para mostrar a beleza e o talento magnético da atriz e, se isso não for o suficiente, o número musical Diamonds are a Girl's Best Friend vai mudar sua opinião. O filme ainda tem uma forte crítica social aos estereótipos e uma divertida história secundária.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

6. Os olhos de Julia (04/06)

Os olhos de Julia
(Los ojos de Julia)

Direção: Guillem Morales 

Elenco: Belén Rueda, Lluís Homar, Pablo Derqui, Francesc Orella

Sinopse: Julia e Sara são gêmeas que sofrem da mesma doença degenerativa que as está deixando cegas. Quando Sara se mata, Julia tem a certeza de que ela foi morta e vai à procura do assassino ao mesmo tempo que tenta lidar com a perspectiva de que logo perderá a visão.

Opinião da Maria: Filmes de terror espanhóis tem uma atmosfera especial que não se encontra nos americanos. Os momentos de tensão são exacerbados pela constante escuridão que te dá a impressão de também estar ficando cego. A grande sacada do filme é que quando Julia passa pela cirurgia que a deixará curada, ela passa por seu período de cegueira, e o telespectador também. Não se vê um rosto, somente as vozes e a ansiedade aumenta. Tradicionalmente os espanhóis não tem dó com seus personagens principais na hora do desfecho, mas o final piegas de "Os olhos de Julia" quase acaba com a experiência do horror.

Opinião do Misael: É bom assistir um filme que consiga se desprender dos clichês do gênero ou que saiba utilizá-los de uma forma competente. Os Olhos de Julia pode não ser um marco revolucionário, mas tem sacadas que brincam com o sobrenatural e soluções de fotografia que mostram o que é pensar fora dos padrões. Se o começo parece desandar para um filme bobo de paranoia, a metade final que cega a protagonista, também ajuda a cegar o espectador ao esconder o rosto das pessoas que interagem com a personagem até a revelação final do assassino. O que poderia acabar com um corre-corre de gato e rato, se transforma então numa das cenas mais tensas do cinema de suspense atual e bebe direto de Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock: o flash da câmera é a única iluminação da cena, mas aqui, ele funciona contra a vítima. O final piegas destoa um pouco do resto do filme, mas a viagem vale a pena.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

5. Oz, mágico e poderoso (03/06)

Oz, mágico e poderoso
(Oz, the great and powerful)

Direção: Sam Raimi

Elenco: James Franco, Michelle Williams, Mila Kunis, Rachel Weisz, Zach Braff

Sinopse: Oscar Diggs é um mágico salafrário que foge em um balão durante um tornado e acaba na mágica terra de Oz. Lá ele tenta ajudar Glinda a livrar o reno das bruxas más.

Opinão da Maria: Eu queria muito não gostar desse filme. Primeiro por que parece errado recontar a história de Oz (apesar de não ter nada a ver com o original da década de 30) e segundo por que filmes que tem cenários predominantemente em CG (como a Alice de Tim Burton) realmente me incomodam. Mas me surpreendi. O começo em preto e branco reminiscente ao filme de Fleming é muito interessante e apesar de alguns movimentos de câmera e atuações exageradas na chegada à Oz, quando o personagem principal sai em sua  quest para matar a 'bruxa má', o filme dá uma guinada para melhor. O destaque vai para a história de origem da Bruxá Má do Oeste e o ponto decepcionante é essa insistência do cinema de fantasia atual de enfiar a 'profecia do escolhido' em tudo que é filme.


MEDO
Opinião do Misael: O que parecia uma viagem rumo ao inferno do tédio e da tosquice,

conseguiu terminar de forma divertida e boa para perder uma tarde de domingo. Infelizmente, o estilo caricato do diretor Sam Raimi acaba sendo um tiro pela culatra nessa versão da historia de Oz, e destrói um elenco que em outras mãos poderia ser bem aproveitado. De longe, a atuação de James Franco é tinhosa, com momentos de vergonha alheia involuntária. O macaco voador em CG parece ter saído de um filme ruim dos anos 2000. Só a partir da metade, com a transformação de Mila Kunis na Bruxa Má do Oeste é que o filme engrena e dá um final mais digno à produção. Consegue ser, ao menos, melhor que o esquecível Alice de Tim Burton




4. O último exorcismo parte 2 (03/06)


O último exorcismo parte 2

(The last exorcism part II)

Direção: Ed Gass-Donnelly 

ElencoAshley BellJulia GarnerSpencer Treat Clark

Sinopse: Nell consegue escapar do incêndio que matou sua família e os membros do culto que queriam que ela desse a luz a um demônio. Sem memória do ocorrido, ela é enviada para uma lar de meninas e tenta recomeçar sua vida, mas o passado a persegue.


Opinião da Maria: Eu não queria ver o primeiro filme, por que sabia que ia me assustar. Filmes de terro gravados com câmera de mão conseguem dar uma sensação maior de horror, como se você fizesse parte e estivesse junto com a equipe de gravação. A troca para um terror convencional foi um dos pecados cometidos nessa continuação. Os momentos de tensão e medo são poucos, não tem cenas de morte e não tem menina possuída se contorcendo. Mas tem profecia (???) e uma cena final terrível. O filme é basicamente propaganda enganosa e não chega aos pés do primeiro, é o que acontece quando alguém inventa de mexer com a ideia dos outros.

Opinião do Misael: Depois de sair perturbado da sessão do original, não pude deixar de
imaginar que o alto faturamento do filme lançaria uma seqüência.

Sabia que seria uma bomba. Depois do primeiro trailer tive certeza. Mas começamos o projeto dos 365 filmes e Exorcismo 2 acabou entrando. Quase me convenceu do contrário. O começo intrigante perdeu força pela metade do filme quando resvala nos clichês dos filmes de terror barato e após uma cena sem sal com um pouco de gore, nem a satisfação de ver sangue jorrando o filme oferece. O final previsível e deixando gancho para uma seqüência eh a pá de cal que ninguém queria acreditar que aconteceria.


E as líderes de torcida morrem de inveja

3. Sete psicopatas e um shi tzu (1º/06)

Sete psicopatas e um shi tzu
(Seven psycopaths)

DireçãoMartin McDonagh
Elenco: Colin FarrellWoody HarrelsonAbbie Cornish, Sam Rockwell, Christopher Walken. 

Sinopse: Marty é um roteirista que não consegue desenvolver seu novo filme, 'sete psicopatas'. Seu melhor amigo, Billy, é um ator desempregado que sequestra cachorros. Quando Billy e seu parceiro Hans sequestram o shi tzu de um mafioso, os três fogem pro deserto. (sei q a tá esquisito, mas não quero spoilear)

Opinião da Maria: O filme é ótimo! Os atores são fenomenais, com uma menção especial ao Woody Harrelson. O roteiro é bem construído, com bons diálogos e personagens engraçados e bem trabalhados. A linearidade, com a história de cada psicopata entrelaçada com a principal é feita de maneira fluente e interessante, lembrando Tarantino e Guy Ritchie.

Opinião do Misael: Esse é o segundo filme do diretor Martin McDonagh, que estreou com o ótimo Na Mira do Chefe, e segue o mesmo estilo. A trama que abusa da metalinguagem e humor negro, tem interpretações inspiradas de Sam Rockwell, Colin Farrell e Woody Harrelson. Mas quem rouba a cena é Cristopher Walken. É dele os melhores diálogos, é ele o melhor psicopata e é ele o maior destaque deste filme que tem na violência gráfica seu maior achado. Definitivamente, um dos melhores filmes de comédia do ano.

2. Terapia de risco (1º/06)


Terapia de risco
(Side effects)

Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Rooney MaraChanning TatumJude Law, Catherine Zeta-Jones

Sinopse: O marido de Emily acabou de sair da prisão. Ela entra em depressão e  tenta se matar. No pronto socorro ela conhece o Dr. Banks, que a prescreve uma droga que lhe causa crises de sonambulismo. Em uma destas crises Emily acidentalmente mata  marido e tem que provar que o culpado é o roemédio.

Opinião da Maria: Os filmes do Soderbergh ficam cada vez melhores. Terapia de risco te faz acreditar em uma coisa, depois te faz desacreditar e aí te faz não ter mais certeza se deve acreditar ou não. Vira uma história de vingança que te deixa com uma sensação de satisfação, como se tudo que acontece no filme tivesse acontecido contigo. Genial. O único contra é que o Channing Tatum mal aparece e já morre.

Não morre Mike!


Opinião do Misael: Terapia de Risco não tem a opulência de um "Onze homens e um segredo", a grandeza de um "Che" ou o experimentalismo de "Confissões de uma garota de programa", mas é um filme de Steven Soderbergh e isso significa elenco de primeiro escalão, domínio técnico e suspense e paranoia do começo ao fim. Não será o título mais importante do diretor mas, como sempre, está muito acima da média.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

1. Se enlouquecer não se apaixone (31/05)


Se enlouquecer não se apaixone
 (It's kind of a funny story)

Direção: Ryan FleckAnna Boden

ElencoKeir GilchristZach GalifianakisEmma Roberts, Viola Davis, Lauren Graham

Sinopse: O filme conta a história de Craig, um adolescente que acha que vai tentar se matar e então resolve se internar na ala psiquátrica de um hospital sem entender completamente o que está fazendo.  
Opinião da Maria: Esse filme é como aquele seu conhecido super simpático que tenta ao máximo ser muito meigo, compreensivo e amável, mas você vê que ele está forçando e não consegue o resultado que procurava. O ator principal é muito bom, e o Zach Galifianakis se segurou pra não ser o Alan de Se beber não case, mas o resto do elenco deixa a desejar. Também sinto que a sinopse oficial deve ter usado a expressão "se mete em muita confusão".
Tenho certeza que muita gente vai gostar, mas, apesar de ter seus momentos, pra mim foi só mais um filme que se esforça demais pra ser indie e cool, mas acaba sendo só pretensioso e vazio. 


Opinião do Misael: Não basta a trilha sonora alternativa e os clichês de outros tantos filmes indies, Se enlouquecer... Tem que carregar a mão nas fantasias do protagonista. Ok, deu pra entender o quão criativo o personagem é e quanto cada atividade desenvolvida pelos psicólogos é libertadora para todos os internos (interessante que só o protagonista sai curado). Falta sutilidade na trama quando o roteiro tenta nos lembrar a cada 5 minutos como o burguesinho sofre com a pressão dos pais. Aliás, é completamente desnecessária a cena de Under Pressure. Cansa também ver o estereótipo do louco mal compreendido, do interesse romântico mal explorado (nunca fica claro o que raios a garota fazia na ala psiquiátrica). Por fim, a retratação das alas psiquiátricas como hotéis mais limpos e funcionais que minha casa é absurda. Um filme feito por gente talentosa mas que falha miseravelmente em seus maneirismos.

Cena  desnecessária.